domingo, 19 de dezembro de 2010

Memory not found!


Essa é a mensagem que eu recebo, a todo momento, quando estou tentando argumentar sobre o que acredito. As palavras somem. Os escritores que li, que me inspiraram e fortalecem minhas teorias, simplesmente se transformam em vácuo. Branco. Silêncio. E é claro,me tornam um interlocutor totalmente perdido no deserto de suas próprias idéias. Desconcertante? É pouco. Profundamente irritante. (Neste exato momento eu estou tentando lembrar um sinônimo para "desconcertante" porque acho uma outra palavra bem melhor que esta. Eu sei que sei a maldita palavra, mas, naturalmente, não lembro).Bem no meio da conversa, quando isso acontece,ou seja, sempre, fico me torturando. Pensando na razão deste fenômeno desesperador.
Então vou atropelando as palavras.Bato na mesa. Balanço a cabeça( como se fosse adiantar...)E então, uso um "enfim". E as pessoas continuam me fitando preocupadas, com a impressão de que eu não sei, absolutamente, nada do que estou falando. Dá-se por encerrado o assunto.
Então eu fico frustrada. Eu sabia do que estava falando e tinha argumentos fortes e contundentes. Mas, por uma ironia do destino, minha memória falha. Me manda uma mensagem de "memória não encontrada". E eu que me conforme com meu insucesso discursivo.
As vezes, são assuntos que ficam martelando na minha cabeça o tempo todo. Aos quais dedico tempo para me aprofundar e refletir.Reunindo dados acumulados, raciocinando. Pensando, pesando, constatando.
E finalmente, quando sou chamada à prova e, esses assuntos são elencados para fazer parte de alguma discussão,ou em uma simples conversa, fico no meio do caminho. Minha tese completa se oculta em algum canto escondido de minha deficiente memória.A fala se fragmenta, deixa várias lacunas. As vezes esqueço detalhes, que até deixam passar(os receptores), mas eu não. Não admito. Me causa um mal terrível ter que abdicar de um pormenor que eu disponho, mas que não posso usar. E por quê? Pelo simples fato de não conseguir lembrar. Quanta injustiça. Uma memória tão nova...
Parece até maldição!
Tempos depois, quando já não se faz mais necessário, vem à tona. Então eu respiro fundo e balanço a cabeça. Respiro profunda e pausadamente!

PS. A palavra lá do começo do texto, adivinha? Lembrei...(respirando fundo)